PMU celebra centenário do Palácio dos Leões

Convite da Prefeitura para a celebração dos 100 anos do Palácio dos Leões
Por Isabella Peixoto | Redação AUP!

Edificação histórica e muito querida por uberlandenses e uberlandinos, o Palácio dos Leões de Uberlândia chega ao seu centenário hoje. Para celebrar, a Prefeitura Municipal de Uberlândia (PMU), através da Secretaria Municipal de Cultura e da equipe do Museu Municipal, preparou diversas atividades culturais e educativas gratuitas para a população.

O evento será realizado hoje, quinta-feira (9), a partir das 19h, e contará com a apresentação conjunta da Banda Municipal e da Orquestra Experimental de Uberlândia, lançamento da Cartilha Virtual do Museu e uma praça de alimentação com o melhor da gastronomia mineira.

Além disso, palestras com os arquitetos Alessandro Rende e Clayton Carilli, uma mesa redonda com professores da área e a exposição de desenhos, fotos e croquis, dentre outras produções dos estudantes de Arquitetura e Urbanismo de instituições de ensino locais abrilhantarão ainda mais a noite.

Confira abaixo a matéria publicada na Revista AUP! Edição #3 para saber um pouco mais sobre a história desse marco político e cultural uberlandense:

De Paço Municipal a Museu Histórico: cem anos do Palácio dos Leões


Palácio dos Leões na Praça Clarimundo Carneiro em Uberlândia/MG
O Palácio dos Leões: patrimônio histórico de Uberlândia (Foto: acervo do autor)
Por Marcos Henrique Silva

No ano de seu centenário, o Palácio dos Leões continua a se destacar na paisagem urbana como uma das mais belas e imponentes edificações já construídas na cidade de Uberlândia. Situado na área limítrofe entre o Fundinho e o centro da cidade, o Palácio acabou se tornando o lugar onde diferentes temporalidades se encontram e se interpenetram, tendo abrigado, em períodos distintos, o Paço Municipal, a Biblioteca Pública e, a partir de 1996, o Museu Municipal de Uberlândia, instituição que neste ano completa trinta anos de atividades voltadas à preservação da memória e da história do município.

Construído entre 1916 e 1917 para abrigar a sede dos poderes Executivo e Legislativo, o prédio sempre esteve no centro das atenções da população, seja porque ali eram elaboradas as leis e tomadas decisões cruciais para o destino da cidade, ou porque ali se reuniam figuras importantes da política local. O fato é que, em décadas de contínuo funcionamento como sede de repartição pública, o prédio cumpriu a dupla função de locus de poder e de símbolo de todo um processo histórico caracterizado pela mudança das estruturas urbanas e da própria mentalidade dos moradores em relação à cidade.

Com o crescimento do município, houve a necessidade de ampliação e aprimoramento dos serviços públicos ali prestados e o palácio já não se mostrava adequado à função de sede da municipalidade. Construiu-se então um novo centro administrativo capaz de reunir em um só lugar todas as secretarias, além da Câmara Municipal, e o Palácio dos Leões foi desocupado e destinado a novas finalidades. Com isso, uma nova fase de sua história iniciou, sem que a edificação perdesse o seu lugar na memória da população.

Crepúsculo na Praça Clarimundo Carneiro e Palácio dos Leões
A beleza da edificação que marca cultural e politicamente
a cidade (Foto: acervo do autor)
Na verdade, esse lugar já estava conquistado, pois antes mesmo que a Câmara Municipal fosse transferida para as suas novas instalações, já existiam leis municipais de 1985 que determinavam o tombamento do prédio em nível municipal e a sua destinação para o abrigo de um museu ainda a ser constituído. Embora o Museu Municipal de Uberlândia tenha sido criado em 1987, a sua transferência para o Palácio dos Leões somente foi viabilizada em 1996, após um extenso processo de reforma, restauro e adequação do espaço a suas novas funções.

A partir de então, um novo processo identitário vem se formando. A praça, que antes era popularmente conhecida como Praça da Prefeitura em referência à antiga sede do poder municipal, vem gradativamente se transformando em Praça do Museu e a edificação adquire novos significados culturais que se somam aos significados políticos acumulados através do tempo.

Nesse contexto, observa-se uma relação de influência mútua conectando o Museu Municipal de Uberlândia à sua sede, já que, a partir do momento em que passa a ocupar uma edificação permeada pela história, a instituição museu ganha visibilidade junto à população que, ao visualizar o acervo museológico contextualizado em um espaço de memória, se sente motivada a rememorar a Uberlândia de outros tempos e recuperar sentidos históricos que pareciam perdidos. Por outro lado, nota-se que o próprio Palácio dos Leões conquistou um lugar afetivo no imaginário popular a partir de sua associação ao Museu Municipal, algo que só tem a contribuir para a sua preservação.

Finalmente, é interessante observar que nas idas e vindas da história dois fatos culturais convergiram para um lugar espaciotemporal extremamente simbólico para a sociedade uberlandense. Nesse movimento, o Palácio dos Leões, como patrimônio histórico edificado, manteve a sua posição central na dinâmica urbana, enquanto que o museu, seguindo a sua própria história institucional, encontrou finalmente o lugar certo para a realização de suas funções culturais, sociais e educativas.


Isabella Peixoto, jornalista e discente de Letras
Isabella Peixoto é revisora, redatora e cerimonialista da Revista AUP!. Bacharel em Jornalismo pelo Centro Universitário do Triângulo (UNITRI), atualmente é discente do curso de Letras com habilitação em Inglês e Literaturas de Língua Inglesa da Universidade Federal de Uberlândia (UFU), atuando como pesquisadora das áreas de Análise Crítica do Discurso e Linguística Forense. Se diverte em dizer por aí que seu principal cargo na AUP! é “Filha do Prof. Adailson”, cargo do qual se orgulha muito por sinal.

Marcos Henrique Silva, arte-educador do Museu Municipal de Uberlândia
Marcos Henrique Silva atua como arte-educador no Museu Municipal de Uberlândia, desenvolvendo projetos de ação cultural e educativa, e educação patrimonial. Possui graduação em Letras e Artes Plásticas pela Universidade Federal de Uberlândia, e Mestrado em História pela mesma instituição.

Isabella Peixoto

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